Resgate de minhas memórias, desde 1994.
Terça-feira, Janeiro 31, 2006
Antes de começar a falar do passado, vamos falar de algo mais importante: o presente.
Estive em Bananal no último final de semana de janeiro, mais ou menos 6 meses depois da última visita, e enfrentamos um chuva muito forte, por várias horas. Resultado: o rio Bananal, adormecido, raquítico, transbordou como há muito não se via.
O episódio tornou-se um espetáculo para as dezenas de pessoas que se aglomeraram nas margens do rio. De fato, para uma cidade de menos de 10 mil habitantes, uma enchente como a do dia 27 torna-se notícia em pouco tempo a assuntos para vários dias.
As águas, agora barrentas, do Bananal invadiram algumas casas no bairro das laranjeiras, um bairro simpático, com casas bonitas porém infra-estrutura precária. O desenvolvimento do bairro segue a passos de tartaruga, entretanto a 10, 15 anos atrás ninguém dava nada para aquele brejo, que lhe rendeu o apelido de ¿sapolândia¿. Detalhe: Há mais ou menos 13 anos atrás, uma enchente descomunal preencheu o vazio das laranjeiras, então a enchente deste ano não deveria ser nenhuma supresa.
Ainda bem que temos a quem culpar: ¿esse tempo ta maluco¿, dizem alguns; ¿choveu muito¿, dizem outros; ¿foi uma tromba d´água na serra¿, dizem os ¿entendidos¿.
Mas os verdadeiros responsáveis por essa e pelas outras enchentes que virão (não estou gorando não senhor) são todos aqueles que entopem nosso velho Bananal de lixo, todos aqueles que tiram indiscriminadamente areia do rio para suas construções irregulares após terem cortados as árvores das margens. E não poderia faltar o descaso de nossas ¿autoridades¿ locais. Dizem que em Bananal não tem o que fazer? Porque então nossas ¿autoridades¿ não ¿sentam a bunda¿ e discutem melhorias para o município. Como o bairro das laranjeiras, que atraem pessoas de posses, dado ao padrão de algumas casas lá construídas, tem como principal acesso uma ponte de madeira, onde mal pode passar uma carroça? Será que o IPTU daquelas casas já não permitiria a construção de uma ridícula ponte de cimento? Veja os senhores com seus próprios olhos o acesso ao bairro das laranjeiras:
Olha o estado da ponte no dia da enchente?
Pretendo retornar a Bananal em no máximo 6 meses e o mínimo que espero é uma ponte decente nas laranjeiras. E será que isso basta? Melhor pedir também maior atenção a nossa saúde, aos nossos cidadãos menos favorecidos, cuidado especial e educação para nossas crianças. Pedindo já é difícil, se não falar nada então...
Bananal é uma cidade maravilhosa, mas não podemos aceitar a alcunha de ¿cidades mortas¿, dada com muita propriedade pelo brilhante Monteiro Lobato.
Comente: adcarva@gmail.com
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 9:10 AM
Quinta-feira, Janeiro 26, 2006
Olá amigos e leitores, é com grande satisfação que abro a série "Fragmentos da Memória", que contará desde minha chegada na capital paulista em 12 de junho de 1994, até os dias de hoje. Estarei refazendo o trajeto daquele domingo de 94 até os dias de hoje, passo-a-passo, as situações que ficaram gravadas na memória.
É um prazer tê-los aqui, porque foi justamente agora que eu percebi ter tomado uma decisão errada no passado: "eu escolhi diminuir o número de amigos, e ao fazer, perdi muito, mas só percebi agora. Faz muita falta uma pessoa para jogar conversa fora, tomar um sorvete, comer um lanche, sentar na sombra de uma arvore, e principalmente ouvir e ser ouvido".
Espero que de uma forma ou de outra, vocês possam me "ouvir". Aproveitem!!!
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 9:45 AM
Terça-feira, Novembro 09, 2004
Ola Amigos, quanto tempo. Bom, em respeito a vocês decidi finalizar minha história, mesmo porque acho isso de sumaria importância. Vamos ao fim:
THE END
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 11:26 PM
Sexta-feira, Maio 14, 2004
Olá amigos, gostaram de meus passeios? Foram muito bons até que um dia, depois de ter ido apanhar pinhão, resolvi que era hora de me aposentar desses passeios cheios de recompensas mas cansativos ao extremo.
Quando comecei a escrever não sabia bem o que estava fazendo ou até onde iria, mas agora sei que vou encerrar as atividades deste blog no dia 12/06/2004, dia do aniversário de 10 anos em SP. Mas até lá podemos compartilhar algumas coisas ainda, já saindo um pouco de Bananal e contando sobre a vida na capital paulista.
A viagem do dia 12/06/1994 foi inesquecivel, principalmente porque estava realizando um sonho antigo, de vir pra São Paulo, não sei bem em busca de que, mas acho que do sonho. Que sonho? Aqui não é Hollywood mas todos temos sonho! (gente, pode parecer uma frase feita, e eu odeio frases feitas, mas isso é um blog e o blog é isso ai, cheio de frases feitas e um termo criado no periódico "O Itaoquense": delirium literatus).
Posso dividir minha estada aqui em três fase, datada de uma maneira impressionante. Não que eu seja fissurado por datas ou coisas parecidas, mas dado as acontecimentos de minha vida, foram marcadas como que em calendários virtuais. Confira:
12/06/1994 até 08/03/1996 - Fase 1
09/03/1996 até 01/08/1998 - Fase 2
02/08/1998 até dias atuais - Fase 3 (em curso).
Abraços!!!
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 2:35 AM
Terça-feira, Maio 11, 2004
Olá Amigos! Vou fazer aqui um breve relato do meu curriculo ecológico, das andanças e aventuras por terras bananalenses e circunvizinhas.
02 travessias Bananal X Angra dos Reis pelo sertão da bocaina: A primeira vez éramos 9 homens e 11 mulheres, um passeio idealizado por um professor que a maioria dos pais achavam que ele era mal intencionado. Até eu achava as vezes mas nunca se provou nada. O passeio foi recheado de aventuras, com pernoite à beira de cachoeiras, horas de chuva pela mata e até mesmo ficar perdido no mato, sem saber por onde continuar. Foi engraçado porque a trilha acabava justamente num rancho, uma casinha de madeira 3 x 3 onde 20 pessoas passaram a noite se saber o que aconteceria no dia seguinte. Sabe o que aconteceu? Apareceu um homem andando pelo mato e nos levou até o ponto onde não nos perderiamos mais, a ponte que atravessava o rio Mambucaba. Ponte? Sim, dois cabos de aço em baixo pra vc pisar e dois cabos de aço em cima pra vc segurar. O rio é largo e deve ter entre 70 e 100 metros largura. A recompensa: o encontro do rio com o mar e as lindas prais de mambucaba em Angra dos Reis. O segundo passeio fomos em cinco e foi um pouco mais divertido do que o anterior, não sei explicar bem mas é queno primeiro houve alguns desentendimentos e no segundo, apenas diversão mesmo. Vai saber né!
A próxima viagem, talvez a mais emocionante de todas: O topo da Pedra do Frade
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 7:32 PM
01 caminhada até a Pedra do Frade: um dos passeios que garantiam ao participante um status maior lá na cidade. Depois de 32 quilometros de caminhada do centro de Bananal até o ponto da primeira, distante mais 8 horas de caminhada por mata fechada até a pedra. O interessante é que já desse ponto de parada era possível avistar a pedra e caminhar a maior parte do tempo olhando pra ela. Na base da pedra uma curiosidade, uma escada de madeira, que nunca soube quem foi o responsável. No alto da pedra, como dizem os mais jovens atualmente, era tudo de bom. Um vista do mar, um por do sol inigualável, de manha, as nuvens cobrindo a cidade e o mar e só nós, lá em cima. O detalhe que era um final de semana de carnaval e passamos a carnaval lá em cima, ouvindo o barulho do samba vindo lá de baixo. Se tiver oportunidade, faça essa caminhada, vale a pena, se souber aproveitar.
Junte-se a isso inúmeros acampamentos em busca de pinhão. Sabe como se pega pinhão daquelas árvores gigantescas? Senta-se na base na árvore e espera o estouro da pinha e depois e só colher o pinhão no chão. Muitas pescarias, muitos banhos de rio e de cachoeira, muita noite sobre as estrelas. Mas teve uma vez, hoje eu dou risada mas foi muito sério:
O eclipse no morro da torre: numa noite de eclipse lunar, fomos dormir no alto do morro da torre, lá em cima tinha uma casinha dos equipamentos de tevê, coisas de antigamente, e ficamos deitados na laje. Vimos inúmeros discos voadores e estrelas cadentes e nos deslumbramos com o eclipse. De manha o sol brilhou vermelho ao nascer. E hoje quando tem eclipse aqui na capital, declamo uma velha frase: "O eclipse não tem mais o romantismo de outrora". O interessante e engraçado, é que o eclipse foi registrado num livro de ata. O autor disso, não conto porque tenho vergonha. Abraços.
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 7:29 PM
Sexta-feira, Abril 30, 2004
Bananal é uma cidade cheia de belezas naturais, mas como toda beleza, fica escondida e é necessário um pouco de trabalho, ou seja, se esforçar para deixar a cidade e ir rumo as belezas naturais que estão sempre a alguns quilometros de distância do centro.
Mas nada que vá matar ou aleijar alguém, pelo contrário, sempre faz bem a saúde uma caminhada.
Me considero um profundo conhecedor da natureza bananalense e quero levá-los comigo para um passeio pela Serra da Bocaina, mesmo que virtual. Antes porém gostaria de contar ainda algo sobre minha infância. Acredito que fui uma criança/adolescente que demorou um pouco para "sair" debaixo das asas protetoras de minha mãe mas não reclamo, talvez isso tenha me poupado alguns problemas que quando tive que enfrentá-los, soube lidar melhor com as situações.
E o marco do alcance desta "liberdade" foi uma excursão ao Tivoli Park, um parque no Rio de Janeiro que hoje não existe mais. Foi a primeira vez que sozinho estive a mais de 150 km da minha cidade. Foi quando conheci e senti as primeiras impressões sobre amizades e coisas do gênero. Foi exatamente esse o marco da minha "independência". Não levem a mal, essa independência não quer dizer que era preso ou coisa e tal, foi apenas quando comecei a sair mesmo de casa e experimentar coisas novas. Dai para os acampamentos e outras viagens foi um passo, quer dizer, muitos passos no que se refere aos acampamentos. Abraços.
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 10:53 PM
Quarta-feira, Abril 28, 2004
Caros Leitores, me encheu de alegria saber que ainda estão por ai, mesmo que em número reduzido, mas isso não importa. Confesso que me perdi na minha própria história mas com a ajuda de uma leitora, que gostaria de saber qual a primeira impressão de um interiorano chegar na capital paulista. Sabe-se lá quantas coisas ouviamos dizer da cidade grande lá nos confins do Vale do Paraiba, numa cidade perdida entre morros e afastada do eixo Rio-São Paulo, já que a principal rodovia do país, a Presidente Dutra, dista 25 km de nossa cidade, então quando estiver na via Dutra com destino a Bananal, preste muita atenção porque se bobear você perde a entrada pra nossa cidade.
Antes porém, gostaria de contar fatos passados ainda em Bananal, que podem ou não ter influenciado na vinda ou não para São Paulo, coisas legais e divertidas para vocês não pensarem que minha vida foi só de decepções e amarguras como alguns chegaram a proferir. (não estou magoada, só não consigo esquecer).
Mas ainda não será hoje, começaremos amanhã porque pretendo escrever primeiro e fazer ou pelo menos tentar ter uma sequência lógica. Abraços.
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 11:38 PM
Terça-feira, Abril 20, 2004
Pessoal, hoje tentei escrever alguma coisa, mas na verdade não consegui desenvolver o que gostaria. Queria contar um pouco sobre os projetos que desenvolvo em parceria com meus amigos e em como isso distrai bastante a cabeça.
De qualquer forma, preciso manter pelo menos atualizado esse blog em aos meus leitores (se é que ainda tenho algum).
Abraços.
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 1:15 AM
Sexta-feira, Abril 16, 2004
Caros Colegas, depois de um longo e tenebroso inverno (quem será que primeiramente disse essa sandice?) venho me manifestar a respeito do trabalho que me propus a fazer.
Não é nada fácil querer escrever disso ou daquilo mas se torna interessante pois faz com que nos libertemos de alguns fantasmas e coisas do tipo. Estão entendendo alguma coisa? Acho que nem eu, mas vamos em frente.
Quando resolvi escrever esse blog, não tinha muito idéia de onde iria parar e aquela história de comemorar os 10 anos de vida em São Paulo não tem muito cabimento, visto o pouco a comemorar, se tiver uma visão pessimista, e o quase nada a comemorar, se for um cara otimista.
Nesse meio tempo entrei de cabeça numa brincadeira que tem sido muito prazerosa e divertida diante das adversidades da vida e tem tomado a maior parte de meu tempo livre e quase todo o tempo de trabalho cerebral (considero ter uma atividade cerebral muito rápida o que causa alguns tropeços). Inclusive temos um link aqui para quem quiser conferir, está logo abaixo do título (Leia o Itaoquense). Vale a pena conferir!!!
Também tenho participado de um grupo de discussão que toma bastante o tempo, mas por ter uma atividade boa na cabeça (creio eu) estou dando conta do recado. O fato de parar de escrever mesmo foi achar um despropósito fazer o que estava fazendo, mas vamos ver aonde isso vai terminar. Até mais Amigos!
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 6:49 PM
Terça-feira, Março 23, 2004
Amigos. Quanto tempo hein? Desculpa dar uma parada mais estou envolvido demais com dois projetos na internet que tem consumido a maior parte do tempo que me sobra, mas gostaria de dizer que antes de entrar na vinda pra São Paulo, ainda pretendo desenvolver alguns assuntos já abordados, como por exemplo, o vestibular.
Enquanto isso não acontece, peço que meus leitores voltem a atenção para um desses projetos que mencionei, em parceria com dois amigos. Estou falando do jornal "O Itaoquense". Tem até um link ai em cima que leva vocês diretamente até lá.
Espero que todos arrumem um tempo para dar uma passada e deixar seus comentários (leiam também os comentários de outras pessoas) Abraços!
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 3:21 AM
Quarta-feira, Março 17, 2004
Bom pessoal.... o básico da história esta chegando ao fim, mesmo porque esses vestibulares que participei foram realizados em dezembro/1992, junho e dezembro/1993 e em junho/1994 embarcava para São Paulo sem olhar pra trás.
É bem verdade que eu já, desde os 15 anos, manifestava o desejo de vir para São Paulo, mas quando resolvi mesmo, foi "dez palitos", como diria uma antiga colega de serviço.
Vou relatar para vocês os três últimos dias vividos em Bananal, pois me lembro como se fosse ontem, ou melhor, antes de ontem:
Sexta, 10 de junho de 1994: Saio de casa de manhã a caminho do escritório de um advogado, amigo da família, que havia me prometido um emprego com um outro colega na cidade de Volta Redonda-RJ. Bom, a resposta não foi a das melhores pois eu deveria continuar aguardando e quando já estava saindo da sala dele, me deu um estalo e eu perguntei se ele não tinha nenhum conhecido em São Paulo, porque eu tinha uma tia que já tinha dito que eu poderia morar com ela se viesse trabalhar em SP (tudo mentira, depois que eu liguei pra minha tia dizendo que tinha arrumado um emprego aqui e se poderia ficar uns tempos na casa dela) e na mesma hora ele ligou para um conhecido aqui em SP que disse que eu poderia ir....
Sábado, 11 de junho de 1994: Acho que fiquei tão eufórico que não fiz nada, ou pelo menos não lembro de nada. Na verdade, como era sábado, devo ter saído, mas o que me lembro da época é que não ia contar para ninguém que ia embora. Talvez tenha sido um grande dia, ou noite, sei lá, acho que não foi tão grande assim pois nem me lembro.
Domingo, 12 de junho de 1994: embarco às 16:45 hs com destino a São Paulo, sem saber o que ia encontrar, mas com um indisfarçável sorriso no rosto.
Abraços!!!
P.S.: Uns tempos na minha tia se traduzem em 1 ano, 9 meses e 4 dias.
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 1:33 AM
Sexta-feira, Março 12, 2004
Continuando a saga do vestibular, depois de tentar inutilmente engolir a derrota sofrida no primeiro vestibular, parti para o vestibular de meio de ano da universidade, convencido que a reprovação primeira tinha sido um raio, que nunca cai duas vezes no mesmo lugar, e quase sem me preparar, mirei o exemplo do colega que havia sido aprovado para o curso de Geologia, curso pouco procurado naquele ano. Foi ai, talvez, que selei mais uma vez o destino trágico (trágico na época, estou tentando passar emoção, nada tendo a ver com rancor ou trama), pois escolhi fazer Física. Não sei qual foi minha classificação dessa vez, mas também não procurei saber, só sei que fui reprovado mais uma vez.
Bom, alguma coisa devia estar errada e eu resolvi estudar para valer para o vestibular do ano seguinte e "deitei" em cima dos cadernos, procurei fazer um curso que eu gostasse sem se preocupar com a quantidade de vagas ou de procura. Passei de agosto a dezembro estudando como um louco, parei de sair de casa inclusive, pois pela primeira vez estaria levando a sério o sonho de ingressar na universidade, e se por acaso fosse reprovado novamente, talvez seria mais justo, assim pensava!
A escolha então foi Administração de Empresas, algo mais real com o momento e que me empolgou bastante a estudar e lutar por uma vaga. Prova feita, eram 45 vagas oferecidas e minha classificação final foi 55º lugar...
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 10:34 PM
Quinta-feira, Março 11, 2004
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 7:30 PM
Depois de adiar por vários dias, vamos logo encerrar esta história da minha formação educacional que é curtíssima, porém a época foi um pouco difícil de engolir tamanho o peso das "derrotas" que sofri nos vestibulares que participei. Conhecido e tido como uns dos alunos mais inteligentes da época, o meu ingresso na universidade era dado como certo pelos professores e colegas, e até um pouco por mim, mas com um pé atrás, pois isso faz parte de mim e continua até hoje.
Um pouco antes de me formar no segundo grau, estava dando aulas particulares de química, pois eram um dos poucos que tinham entendido bem o assunto e pude ajudar uns amigos (ajudar modo de falar, pois eu cobrava pelas aulas) a conseguir nota na matéria. O professor de química me empurrava vários alunos, dizendo que não tinha tempo de dar aulas particulares e que o "Alexandre daria conta do recado". Diante dessa aparente facilidade em química, optei por fazer vestibular para Engenharia Química na já citada UFRRJ. Para conhecimento de todos, esse era o primeiro ano de convênio entre a universidade e o nosso colégio, trazendo a prova pra Bananal, não mais sendo necessário se deslocar até o municipio de Itaguai, no Rio de Janeiro, onde está instalado o campus da universidade. A expectativa era muito grande e estávamos todos aguardando ansiosamente o dia da prova. Prova feita, corríamos atrás dos documentos para a matrícula, fato que me lembro bem pois o certificado de dispensa do exército ainda não estava pronto e achamos que era o funcionário da prefeitura que estava atrasando a entrega. Arrumamos a maior confusão por causa do documento (falo no plural porque estava junto com um colega), e no fim das contas ele não serviu para o fim a que estava sendo tão bravamente solicitado.
Mas o pior ainda estava por vir, no dia do resultado, quando meu nome não figurava entre os classificados e de todos os participantes do vestibular apenas dois amigos conseguiram o tão desejado ingresso na universidade, um deles o que me acompanhou na luta contra o tempo pra conseguir o documento do exército,a decepção foi total. Não querendo ser presunçoso, a alegria pela aprovação dos dois ficou em segundo plano, porque o que se comentava entre os colegas era a minha reprovação, ou não aprovação, como queiram. Eram pouco mais de 40 vagas oferecidas e fui classificado como o 197º. O meu colega entrou para fazer Matemática, eram 40 vagas e ele se classificou em 40º lugar, enquanto o outro entrou para Geologia, curso que oferecia apenas 20 vagas. Isso é só o começo do desastre universitário. Abraços.
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 7:20 PM
Quarta-feira, Março 10, 2004
Olá Amigos! Apesar de ter poucos leitores ( são 5, pra ser mais preciso) estes já reclamam mais periodicidade, porém, estes mesmos leitores quase me desanimaram a continuar escrever, pois mesmo sabendo que eu pedi a opinião de cada um deles, não aceitei quase nenhuma, pois fui chamado de rancoroso e amargo, e até mesmo que precisaria fazer "uma análise por causa dos traumas de infância".
A todos vocês que tem me acompanhado aqui nessas memórias, dedico o maior respeito, pois do contrário jamais saberiam o que propus a escrever e para alguns até o contato já estaria perdido, mas mesmo demonstrando as "qualidades" que vocês, caros leitores, me deram, vou continuar escrevendo dizendo que o meu passado não me causa nenhum trauma ou vergonha, muito pelo contrário, lembrar do passado é uma das coisas mais agradáveis para mim, pois tenho muito orgulho da forma como cresci e acabei me desenvolvendo como homem... Abraços.
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 7:25 PM
Terça-feira, Março 02, 2004
Amigos! Estive relendo meus artigos e juntamente com a opinião de vocês, que estão lendo estas memórias, percebi que as coisas não estão indo bem e me fez repensar sobre o que deveria escrever. O importante é que saibam que as coisas aqui descritas, não estão em nenhum caderno ou diário, estão saindo da cabeça praticamente em "tempo real" e que o máximo que faço e ler para localizar possiveis erros de português, das palavras e não da concordância, esteja bem claro (e ainda assim devem ter alguns).
Para quem não conhece bem Bananal, saiba que temos uma história fantástica, desde a sua fundação em 1783 até próximo o começo do século XX. Depois, e hoje, somos apenas uma pequena cidade do interior paulista que pensa que ainda pode desfrutar dos áureos tempos do café. Vejam fotos das moedas que eram cunhadas na cidade nos tempos dos Barões do Café. Abraços
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 10:40 PM
Sábado, Fevereiro 28, 2004
Amigos! Antes de continuar a escrever gostaria de deixar claro que estou escrevendo minhas memórias, ou seja, apenas as coisas que lembro e que marcaram minha vida. Não existe a necessidade de junto com minhas memórias, apresentar um determinado grau de emoção, portanto não vejo motivo para estar feliz ou triste quando conto um fato passado, porque o que tem mesmo grande importância hoje, é justamente o tamanho da importância que o fato teve na época do acontecimento, porque muitas das coisas, como por exemplo, o "rasgo" da bermuda, hoje eu tiraria de letra, mas naquela época, com apenas 12 anos, foi uma situação um tanto embaraçosa. Quanto a ironia ao falar do fracasso das relações de amizade no término da escola, sem querer parecer o melhor deles, eu fui um dos poucos, talvez o único, que tentou (em vão) manter o contato e acesa a chama da amizade, mas pra que? Pra descobrir mais a frente que ninguém estava nem ai com o que estava acontecendo com o seu tão "querido amigo" de outrora. Foi quando, não por vontade própria mas quando quis fazer um contato e descobri que o número telefônico não existia mais, perdi realmente a vontade de continuar a "correr" atrás desses "amigos". É hora de tirarmos a máscara da hipocrisia e assumirmos definitivamente que na maioria das vezes estamos muito preocupados mesmo é com nosso próprio umbigo. Abraços, esses sim, extremamente sinceros.
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 1:22 AM
Sexta-feira, Fevereiro 27, 2004
Olá Amigos! Espero que todos já tenham se recuperado dos exageros do carnaval e vamos em frente que atrás vem gente (que coisa ridícula). Estava lendo o "artigo" anterior para poder dar andamento aos contos e sobre a formatura no 2º grau não há nada digno de nota, tamanho desinteresse e desunião por parte do grupo em fazer qualquer coisa juntos. Que grupo excelente não? Lembro-me inclusive que o único lampejo de união foi o de fazer um churrasco por ano para reunir toda a turma e contar o que cada um estava fazendo e sabe quantos churrascos foram feitos nesses 12 anos desde a formatura? Nenhum! O amor e a amizade eram incriveis entre nós. Perdoe-me pois hoje estou extremamente irônico, não sei bem o motivo mas vamos lá...
Não sei se hoje isso ainda existe, mas naquela época tínhamos que ter uma madrinha de formatura. Nunca soube bem porque mas também nunca fui procurar saber. Enquanto uns escolhiam mães, irmãs, tias e etc, eu, sempre diferente e nunca em sintonia com os colegas, escolhi uma amiga da família, não tão amiga assim, mas uma das mulheres mais bonitas da cidade. Foi simplesmente um arraso.
Após a formatura, fomos quase todos prestar vestibular na UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), mas isso merece um capítulo a parte.
Abraços a todos.
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 1:51 AM
Sexta-feira, Fevereiro 20, 2004
Olá Amigos! Como eu prometi escrever hoje sobre o restante da minha vida escolar, vamos a ela, mas na verdade não estou muito inspirado.
1990 - O primeiro colegial trouxe severas mudanças para nós, simples mortais de uma pequena cidade do interior paulista. A primeira dela foi a mudança de colégio, pois apenas um dos colégios da cidade oferecia o curso de 2º grau. O horário também mudava, apenas existia o período noturno. O único fato marcante deste ano que é digno de nota, foi uma suspensão de 1 dia que eu recebi junto com outro colega, porém fomos "anistiados" no dia seguinte. Acontece que o filho da diretora desse novo colégio era da nossa turma e ele também estava envolvido na bagunça que renderia a suspensão, porém diante dos colegas e de sua mãe, não teve coragem de assumir a participação na trama. Penso eu que ele deve ter confessado em casa e por isso, ao invés de ser punido junto conosco, a diretora achou melhor nos perdoar alegando que éramos réus primários, jovens de famílias, etc, etc.
1991/1992 - Dois anos que se seguiram sem maiores problemas, exceto que em 91 um dos colegas que já vinham conosco desde a 7ª série não conseguiu ser aprovado e teve que fazer o segundo ano novamente. Fora isso, nada digno de registro, apenas a formatura do 2º grau e a corrida para a Universidade.
Foram 11 anos de muito estudo e muito acontecimentos. Estudar é preciso!
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 1:32 AM
Quinta-feira, Fevereiro 19, 2004
Desde que comecei a escrever venho percebendo como são importantes nossa memória e nossa história. Queria falar um pouco da época da escola, período compreendido entre 1981 (pré-escola) e 1992 (formatura do 2º grau).
1981 - A única lembrança que tenho desse ano, que chamavamos de prézinho, era da dona da cantina e sua filha, mas infelizmente não sei mas quem são essas pessoas. Espero que me perdoem por isso.
1982 - As lembranças da primeira série não são boas, muito choro pra ficar na escola e, em primeira mão, vou contar a verdade sobre um episódio. Fui chamado ao quadro negro, mas estava com muita vontade de ir ao banheiro, mas a professora não deixou e conto para todo mundo que fiz minhas necessidades na lata do lixo, mas a verdade é que molhei as calças.... podem rir, mas é a verdade, contada pela primeira vez.
1983/1984 - A segunda e terceira séries não deixaram muitas lembranças. Lembro apenas do nome das professoras mas acho melhor não mencioná-los, não por enquanto.
1985 - Esse ano atingi uma das melhores fases da escola, tanto que mantenho na parede de um dos quartos da casa de minha mãe um quadro com meu certificado de Honra ao Mérito por se destacar como melhor aluno da classe daquele ano.
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 12:58 AM
1986/1987 - A passagem pra quinta série também se destacava por ser algo novo, mudava-se os cadernos, eram mais de um professor, tudo era novidade, acho que mudava também o horário, não tenho certeza. Sexta série normal, sem grandes acontecimentos, apenas um, que não posso precisar se foi nesse ano, mas me lembro bem do fato. Estava sentado na minha carteira, devia ser verão pois estava de bermuda, e um lápis ou uma borracha caiu no chão, e eu me abaixei pra pegar e quando voltei, a cadeira estava meio quebrada, minha bermuda grudou ali e rasgou e classe rolou no chão de rir. Nunca passei tanta vergonha na vida. O interessante dessa história é que, um amigo, que foi solidário comigo e me acompanhou até em casa, por outro caminho, foi andar sobre uma tubulação que passava por cima de um riacho e acabou caindo no riacho, se molhando todo. Para mim foi um alivio saber que não era o único azarado deste mundo.
1988 - Aqui começa a era das trevas na escola, aquela em que o rapaz bonzinho e comportado dos anos anteriores se transformou num deliquente juvenil, desrespeitoso e debochado. Nesse ano acrescentei ao meu curriculo uma expulsão de classe pela professora de português e consequente visita a sala da diretora e uma discussão com a professora de educação artistica, que me valeu uma inimizade até os dias de hoje... Tive três fases na escola, da 1ª a 6ª série, um rapaz 100%, da 7ª ao 2º colegial, a era das trevas e o 3º colegial a regeneração.
1989 - Aqui o ano da formatura, apenas posso mencionar o passeio do final do ano, quando fomos a Campos do Jordão e nada demais aconteceu no ano. Vou ver se acho umas fotos desse passeio para mostrar para todos.
Bem pessoal, amanha tem mais, continuaremos com o segundo grau e o fracasso do vestibular. Abraços.
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 12:57 AM
Quarta-feira, Fevereiro 18, 2004
Estava correndo num corredor, na verdade numa plataforma porque embaixo tinha um rio, um rio escuro, muito sinistro e eu continuava correndo querendo sair daquilo. Mas, de repente, tinha um buraco na plataforma, e eu descobri, não sei como, que não podia pular... tinha que passar correndo, como se não houvesse o buraco. Pensei, pensei e resolvi que o melhor mesmo era pular, mesmo sabendo que deveria passar correndo. Que besta, pois foi pular e não conseguir chegar do outro lado e então cai e fui pego por uma planta gigante e ela foi me carregando até uma porta abre e fecha no fim do corredor e ai..... acordei. Puxa, mais um daqueles pesadelos de infância que jamais consegui esquecer.
Ao mesmo tempo que escrevo essas memórias, estou lendo um livro sobre a história de Bananal, desde sua fundação em 1783 passando pelo tempo de muita riqueza proporcionada pelo café e depois sua decadência pelo esgotamento da terra. A história é fantástica e faz com que qualquer pessoa sinta orgulho da cidade, da sua importância para a grandeza do estado de São Paulo e do País. E por causa deste orgulho que eu me considero o maior divulgador da cidade, desde o ano de 1994, quando a deixei para experimentar os ares da capital paulista. Abraços
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 8:11 PM
Terça-feira, Fevereiro 17, 2004
Olá Amigos. Antes de continuar a contar sobre minha vida, gostaria de perguntar a todos: Vocês sabem onde fica e como se chega a Bananal? Já mencionei que Bananal esta situado no Vale do Rio Paraiba, mas como esse rio não corta a cidade, talvez fica difícil localizar só falando assim, então, resolvi mostrar como se faz pra chegar a Bananal. E aproveito para convidá-los a todos a fazer uma visita a cidade, pois temos uma riqueza muito grande, tanto histórica e cultural, como também ecológica. Informo ainda que agora é possível fazer comentários sobre o conteúdo e aproveitem para, como diríamos em Bananal, "descer a lenha". Abraços
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 8:28 PM
Segunda-feira, Fevereiro 16, 2004
Amigos, das poucas coisas que me lembro do nascimento até minha idade de 13 ou 14 anos, quando comecei a sair de casa pra valer, tenho lembranças das várias mudanças de casa que meus pais tinham que fazer, alguns episódios na escola e na vizinhança e também alguns pesadelos. Destes, deixa eu tentar relatar alguns, em ordem cronológica... se eu lembrar. Moravámos na entrada da cidade, e estava eu brincando num local onde seria construído um prédio que mais tarde seria um depósito de bebidas onde eu trabalhei por quase dois anos. Não lembro que foi o autor, mas um garoto jogou um pedra e abriu um buraco na minha perna, acho que só lembro disso por causa da cicatriz que tenho na batata da perna....esquerda (tive que olhar pra confirmar). Depois disso lembro de ter morado numa casa que fica no bairro chamado Vila Bom Jardim. Lá tive meu primeiro pesadelo que nunca esqueceria, tanto que relato agora. Era uma festa de aniversário, acho que minha. A casa tinha um quintal grande e os fundos era morro... de repente, durante a festa desce um bicho do morro, grande como uma avestruz, falando que não estava gostando da festa e começou a correr atrás de mim, foi horrível, na época. E quando se fala em infância, não posso deixar de mencionar meu amigo Paulinho, filho do delegado. Passamos a infância juntos, pelo menos do prézinho (Pré-escola) até a 4ª série, se não me engano, quando seu pai foi embora da cidade. Me lembro uma vez na casa dele, era uma chacará afastada da cidade, uma casa muito bonita, vários quartos, piscina, sauna e numa dessas brincadeiras, estavamos no morro próximo a casa (acho que tenho problemas com morro) e estava pulando quando de repente, quando percebi, estava no chão, todo ralado. Foi uma queda espetacular.... daqui a pouco vocês vão pensar que só me acontece desgraça. Esperem e vejam, as desgraças ainda não acabaram. Abraços
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 7:24 PM
Sexta-feira, Fevereiro 13, 2004
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 11:21 PM
Bananal, presença marcante no berço da cultura brasileira.
Você sabe onde fica Bananal? Sempre quando falo algumas pessoas dizem que já ouviram falar, mas acho mesmo é que confundem com um bairro no Rio de Janeiro, uma plantação de bananas ou mesmo com a ilha do Bananal. Mas a Bananal que me refiro está localizada na divisa dos estados de RJ e SP, no conhecido vale do Rio Paraiba, também chamado Vale Histórico mas que eu prefiro chamar de "Berço da Cultura Brasileira".
E foi lá, aos 29 dias de setembro do ano de 1975 que nasci, quer dizer, que fui de ambulância, ainda na barriga de minha mãe, nascer na cidade fluminense de Barra Mansa, distante 25 km de Bananal, cidade parteira pois Bananal não tinha condições de trazer a luz seus filhos que mesmo com essa desonra, seriam os maiores divulgadores de sua história e belezas naturais.
Assim começa a minha história, no ano em que completarei 10 anos longe da "boa terra", como parte das comemorações que se estenderão por todo o ano, com o ponto máximo atingindo em 12 de junho de 2004, data exata da partida da cidade, 10 anos atrás... Abraços
postado por: ALEXANDRE CARVALHO 10:57 PM